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Como aprovar a instalação de um radar na assembleia

A maior parte dos síndicos perde essa votação por preparar o assunto errado. Não é sobre o equipamento — é sobre o custo por unidade e sobre a pergunta que alguém vai fazer no microfone.

Assembleia Por Equipe Revlo Atualizado em Agosto de 2026 8 min de leitura

Resposta direta: se for locação, provavelmente você não precisa de assembleia — é despesa de custeio, dentro da alçada do síndico na maioria das convenções. Se for compra, é investimento e normalmente precisa. Confirme na sua convenção antes de convocar qualquer coisa.

Você precisa mesmo de assembleia?

Essa é a primeira pergunta, e ela economiza meses.

LocaçãoCompra
Natureza contábildespesa de custeioinvestimento
Origem do recursoorçamento ordináriofundo de reserva ou rateio extra
Costuma exigir assembleiaNão, na maioria das convençõesSim
Prazo típico até instalarsemanasmeses

Locação entra na mesma categoria de jardinagem, dedetização e manutenção de portão: contrato continuado, pago pela taxa mensal. Se a sua convenção dá ao síndico alçada para contratar serviço recorrente até determinado valor, o radar cabe ali.

Cheque três coisas na convenção: o limite de alçada do síndico, se há exigência de aprovação do conselho fiscal e se existe cláusula específica sobre contratos de prazo determinado.

Qual quórum

Para compra custeada pelo orçamento ordinário, a regra geral é maioria simples dos presentes em assembleia regularmente convocada. Mas há duas ressalvas que valem verificação:

  • A convenção pode exigir mais. Muitas fixam quórum qualificado para qualquer despesa acima de um valor. A convenção prevalece sobre a regra geral quando é mais rigorosa.
  • Classificação da benfeitoria. Benfeitoria útil segue a regra geral; voluptuária exige quórum qualificado. Um equipamento de segurança viária dificilmente será classificado como supérfluo, mas se houver risco de alguém levantar isso, trate o tema na justificativa da pauta.

O que fazer antes de convocar

  1. Tenha a proposta em mãos, com locação e compra lado a lado. Assembleia sem número vira debate abstrato.
  2. Calcule o custo por unidade. Divida a mensalidade pelo número de unidades. É esse número que vai para o slide, não o valor cheio.
  3. Levante o histórico. Reclamações no grupo, atas anteriores, ocorrências. Se houve quase-acidente, isso é o argumento mais forte que existe.
  4. Confirme o limite de velocidade no regimento. Se não houver limite fixado, inclua isso na mesma pauta — sem limite definido, o equipamento não tem parâmetro para configurar.
  5. Alinhe com o conselho antes. Chegar à assembleia com o conselho já convencido muda o tom da discussão.

Modelo de redação da pauta

Convocação genérica gera anulação. Seja específico:

"Deliberação sobre a contratação de equipamento medidor de velocidade (radar pedagógico) para a via interna do condomínio, na modalidade [locação mensal / aquisição], com custo estimado de [valor] mensais, equivalente a [valor] por unidade, e sobre a fixação do limite de velocidade de [X] km/h nas vias internas, com inclusão da respectiva penalidade no regimento interno."

Repare que a pauta faz três coisas ao mesmo tempo: aprova o equipamento, fixa o limite e cria a base para a penalidade. Aprovar só o equipamento e deixar o limite para depois costuma significar uma segunda assembleia.

Como apresentar em cinco minutos

Minuto 1 — o problema, com fato. "Recebemos X reclamações nos últimos meses. Em [data] houve [ocorrência]." Nada de adjetivo.

Minuto 2 — o que já tentamos. Placa, mensagem no grupo, advertência. Mostre que a proposta não é a primeira ideia, é a que sobrou.

Minuto 3 — o que o equipamento faz. Exibe a velocidade, o motorista se corrige. Diga explicitamente que ele não multa — antes que alguém pergunte.

Minuto 4 — o custo por unidade. Um número só, grande.

Minuto 5 — o que acontece se não fizermos nada. Sem drama: a responsabilidade do condomínio em caso de acidente é matéria discutida em juízo, e omissão diante de risco conhecido pesa contra.

As sete objeções que sempre aparecem

"Mas isso não multa ninguém, é só enfeite."

Concorde com a primeira parte. Explique a segunda: o efeito não vem da punição, vem de o motorista ver o próprio número. E, na versão com registro, o dado passa a sustentar a penalidade condominial que a convenção já prevê.

"É caro."

Apresente o custo por unidade e compare com uma despesa que todo mundo conhece — a dedetização, a manutenção do portão.

"Lombada é mais barata."

É, na compra. Some obra de asfalto, reparo periódico, reclamação de dano a veículo e o ruído para quem mora de frente. E lombada não gera dado.

"Vai ficar feio."

Mostre a foto. É um poste com display, menor que uma luminária.

"Quem corre é visitante, não morador."

Ótimo argumento a favor: o equipamento age sobre qualquer um que passa, inclusive quem o condomínio não pode multar.

"Precisa quebrar o asfalto?"

Não. O equipamento solar é fixado em poste e a instalação é reversível.

"E se não funcionar?"

Na locação, o contrato tem prazo e o equipamento é retirado sem deixar marca. O risco de errar é limitado e reversível — e é exatamente esse o argumento para começar alugando.

Depois da aprovação

  • Registre em ata o limite aprovado e a penalidade, não só o equipamento.
  • Comunique a todos os moradores antes de instalar. Radar que aparece sem aviso gera atrito.
  • Dê um período de adaptação — algumas semanas só com o display, sem qualquer penalidade.
  • Se contratou a versão com registro, leve os primeiros dados à reunião seguinte. É o que consolida a decisão perante quem votou contra.

Baixe o modelo de pauta em .docx — com edital de convocação, justificativa para o conselho, texto para o regimento e modelo de ata. Sem cadastro.

Veja como funciona a locação ou peça a proposta comercial.

Este texto é informativo, não é parecer jurídico. Cada condomínio tem convenção e regimento próprios, e a jurisprudência varia entre tribunais. Antes de aplicar qualquer penalidade a morador, consulte o advogado do condomínio.
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